30 FATOS SOBRE MIM

6 out

1 – SOU TRANSPARENTE. Há um monte de informação em relação a mim que revelo de bom grado e lido muito bem com isso. Se contei algo pro mundo ou pra você, sinta-se a vontade pra conversar sobre o assunto sempre que quiser. Quando minto ou omito algo, sei que quem está me vendo sabe exatamente o que penso e sinto. É como se eu não tivesse casca.

2 – AMO GENTE. Não é à toa que estar em sala de aula tem me feito tão feliz. Já tentei ser distante. Não funcionou. Simplesmente, não consigo ignorar que me interesso por pessoas e por tudo que esteja relacionado a elas. Toda vez que quebrava a distância com aproximação me sentia culpada. Até que percebi que estava me sentindo culpada o tempo inteiro e que não podia mudar quem sou.

3 – AMO FICAR EM CASA. Mas, esse amor conflita muito com todas as atividades fora de casa que acabo arranjando durante o ano. Sempre tem algum momento em que jogo boa parte de tudo pro alto só porque minha saudade de casa é mais forte do que tudo e a minha saúde é frágil. Junto o útil ao agradável.

4 – MEU SONHO, NA INFÂNCIA, ERA SER MENINO. Minhas preferências costumavam não se encaixar ao que dizem ser “de menina”. Essa fase durou muito tempo e me causou um sofrimento desnecessário. Senti muita vergonha/raiva ao perceber os meus seios nascendo, odiei menstruação e todas as mudanças no corpo que a puberdade trouxe na pré-adolescência. Com o tempo, descobri que ser mulher é o máximo e desencanei. Todavia, esse “desejo” só ficou pra trás quando entendi que o que eu queria de verdade era ter as escolhas, a liberdade e a representatividade que os meninos e homens têm. Portanto, discursos conservadores me irritam profundamente.

5 – JÁ BEIJEI UMA RUMA DE HOMEM SEM QUERER PARA PARECER HETEROSSEXUAL (olhaí a confusão que um discurso conservador pode fazer na cabeça dum ser humano). Preciso dizer que me arrependo de cada um desses, apagaria todos e que foram horríveis?! Às vezes, dava um beijo e fugia. Raimar foi o segundo homem da minha vida que beijei em dias distintos. O comum era eu não querer saber da pessoa no dia seguinte. Com o tempo, aprendi que o melhor tempero para um beijo realmente bom é o afeto que sinto por quem estou beijando.

6 – RAIMAR É O MEU PRIMEIRO NAMORADO. Eu era uma solteira feliz que sonhava em ser uma profissional bem sucedida. Então, nunca fiz o tipo de mulher à procura de um relacionamento sério. Pouquíssimo antes de conhecê-lo tinha tomado à decisão secreta de nunca mais me relacionar com quem não me interessasse de verdade. Isso implicava seguir meus instintos e assumir o que tivesse de assumir. Só que comecei a me encantar por ele e quando percebi estava num “namoro firme” me sentindo a pessoa mais livre, contente e amada do mundo.

7 – MANTENHO RELACIONAMENTOS ESTÁVEIS. Fico junto até o fim de quem quer estar comigo. Nunca fiz o tipo de pessoa que ama sem ser correspondida ou força a barra pra ter alguém por perto.

8 – APESAR DA DISTÂNCIA, DITADA PELO TEMPO OU PELAS CIRCUNSTÂNCIAS, TORÇO PELO BEM-ESTAR DAS PESSOAS QUE PASSARAM POR MIM.  Se você fez parte da minha vida no passado, foi um amigo ou amiga, saiba que – mesmo sem falar – eu curiu/stalkeio seu perfil nas redes só pra saber se você continua bem e fico feliz com suas vitórias.

9 – AMO LER. Quem ama ler, ama ganhar livros. Então, obrigada a todos aqueles que já me presentearam com livros ou cartões com crédito em livraria. Eu confesso que posso esquecer outros presentes. Mas, se me der livro, não esqueço.

10 – AMO ROTINAS E REPETIÇÕES. Por exemplo, todo dia eu tomo o mesmo “café da manhã” e nunca tenho vontade de comer outra coisa (tapioca, ovo e vitamina com extrato de soja, banana e mamão). Só como algo diferente se estiver fora de casa ou se um dos ingredientes do meu desjejum estiver faltando. Escuto a mesma música repetidamente. Assisto filmes/séries várias vezes. Leio o mesmo livro/poema à exaustão. Por isso, o meu repertório de filmes/livros/séries é bem pequeno apesar de dedicar muito do meu tempo a essas atividades.

11 – NÃO SEI PERDER JOGANDO SOZINHA. Não vejo a menor graça no que chamam de desafio. E não me entedia ganhar repetidamente. Posso passar horas distraída com um jogo em que só ganho. Mas, acho um absurdo precisar tentar mais de três vezes passar de uma fase. Se após cinco tentativas não conseguir, o jogo acaba pra mim. Ele se torna irritante e só. Não me sinto motivada a continuar se perco. Em compensação, tem alguns títulos que jogo há anos porque domino e ganhar sempre faz com que me sinta bem (o tempo e a facilidade não tiram essa sensação boa de mim).

12 – PRECISO DE TEMPO PARA MUDAR. Entendo o quanto isso angustia pessoas próximas que me dão conselhos positivos. Mas, não sei ser diferente. Eu escuto e considero a fala dos que me amam ao tomar decisões, mas – às vezes – demoro a processar determinadas informações. Então, tenha paciência comigo.

13 – PASSEI ANOS DIZENDO QUE NÃO GOSTAVA MESMO DE CACHORROS, GATOS E CRIANÇAS. Mas… Será que alguém acreditava nisso de verdade?! O que eu tinha era um misto de ignorância e medo. Já me afoguei na aguá que não beberia. Quer me ver feliz? Mande vídeo de filhotes ou bebês. Um sonho? Cursar pedagogia!

14 – SÓ SIGO LEIS E REGRAS QUE ACHAR CONVENIENTE. A maioria das leis e regras faz sentido pra mim. Então, sigo. Mas, preciso saber o porquê delas. Qualquer lei ou regra que julgar injusta não me rege.

15 – A MINHA CONSCIÊNCIA PESA QUANDO FAÇO ALGO INADEQUADO. Não entendo quem é capaz de cometer um crime ou uma grosseria e dorme.  Fico remoendo aquela palavra que não deveria ter dito, aquele grito que não deveria ter dado e até o sorriso que neguei a alguém.

16 – SOU PORTADORA DE UMA DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL. Ela é uma parte importante de mim e falo sobre isso abertamente.

17 – AINDA ME SINTO DESCONECTADA DO MEU CORPO EM VÁRIOS MOMENTOS. Minha mente tem um ritmo, o meu corpo outro e não sei fazer uma junção que satisfaça os dois.

18 – AMO ESCREVER NO MEU BLOGUE: VIVENDO COM COLITE. Ele só me trouxe benefícios. Num segundo, estava só. No outro, tinha uma monte de amigo me dando força e pessoas conhecidas e desconhecidas que compartilhavam comigo os mais diversos problemas e angústias.

19 – JÚLIA TEM RAZÃO QUANDO DIZ QUE FALO BASTANTE DELA PROS OUTROS.

20 – SOU DE ESCORPIÃO E ISSO NÃO SIGNIFICA ABSOLUTAMENTE NADA PRA MIM.

21 – NÃO ACREDITO EM DEUS. Gosto da definição de Deus do Livro dos Espíritos de Allan Kardec: “Deus é a inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas”. O que diz a bíblia ou a doutrina espírita me interessa mais a título de curiosidade. Sinto como se todas aquelas histórias e explicações fossem contos fantásticos bem escritos. Acredito que o ser humano se frustra diante do desconhecido e, por isso, cria deuses pra explicar o que ele não entende. Minha crença é tão bem fundamentada quanto a de quem acredita em Deus. hahahahahaha Não sinto a presença de Deus e cansei de buscar por Ele.

22 – ME IMPRESSIONA A QUANTIDADE DE GENTE QUE ACREDITA NA VIRGINDADE DA “VIRGEM MARIA”. Minha gente, uma mulher bem novinha casou com um homem velho e disse que estava grávida do Espírito Santo numa época que não existia teste de DNA. As leis daquele tempo eram muito duras com as mulheres que se desviavam do caminho padrão. Entendo completamente o motivo de quem mente nesses casos e até apoio. Hoje, não faz sentido chamar Maria de Virgem Maria. Imaginar que ela não era realmente virgem não tira a beleza de sua história.

23 – DEBOCHO MENTALMENTE DE QUEM USA O MITO DE ADÃO E EVA COMO ARGUMENTO NUMA DISCUSSÃO FORA DA ESFERA RELIGIOSA.

24 – AMO A LIBERDADE DE PODER ESCOLHER, MAS SINTO COM FORÇA A DOR DE ESCOLHER E DEIXAR PARA TRÁS CAMINHOS ALTERNATIVOS QUE GOSTARIA DE TRILHAR.

25 – NEM O MEU LIVRO FAVORITO PRESTA SE EU TIVER DE LER POR OBRIGAÇÃO. Umas das melhores coisas da vida quando deixei Letras foi sair lendo tudo aquilo que queria e não tinha tempo. Me sentia culpada se gastasse a mente e a vista lendo Harry Potter enquanto havia uma pilha de outros textos que precisavam ser lidos e acrescentariam mais a minha formação. Disciplina obrigatória com professor rígido é a mistura perfeita para ativar meu total desinteresse. Tem muito texto acadêmico que só veio me interessar de verdade depois que terminei Letras. Quando tinha de ler, a experiência foi ruim. Quando não importava mais, li e gostei.

26 – SOU POUCO AVENTUREIRA. Acho lindo quem coloca uma mochila nas costas e sai pelo mundo. Todavia, só viajo com pessoas de minha confiança e pra lugar com tudo acertado.

27 – MINTO E OMITO INFORMAÇÕES. A gente mente o tempo todo para passar melhor. As pessoas perguntam se está tudo bem sem querer saber a verdade. Você sabe que a resposta não interessa e mesmo assim responde com alguma mentira. Então, acho realmente babaca quem abomina mentira. Mentir e omitir é parte do nosso cotidiano. Minha consciência só pesa se a mentira prejudicar algum terceiro ou trair a confiança que alguém – por quem tenho admiração ou afeto – depositou em mim. Se isso não acontecer, meu comprometimento com a verdade varia. Vou falar o que achar conveniente.

28 – SOU UMA SONHADORA. Daquelas que acreditam em causas que classificam como perdidas.

29 – TENHO PROFUNDA ADMIRAÇÃO POR QUEM LUTA ATIVAMENTE PELO BEM. Tem gente que cuida de crianças, tem gente que cuida de idosos, tem gente que cuida de enfermos, tem gente que cuida de animais de rua… Pra mim, estão todos no mesmo patamar. Da minha boca não saí críticas do tipo “Cuida dos gatos de rua e não liga pra crianças abandonadas”. As pessoas criticam demais e fazem de menos. Se cada um abraçasse uma causa por amor, viveríamos num mundo muito melhor. Pessoas que lutam por uma causa bacana me enchem de fé na humanidade e de esperança por um mundo melhor.

30 – SOU BISSEXUAL.

P.S.: Essa é uma versão ampliada duma listinha que fiz pra uma brincadeira do Face. Resolvi deixá-la gravada aqui porque revisito sempre os textos antigos do blogue e me choca o quanto minha opinião muda com o passar do tempo.

 

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Haja paciência!

27 jul

Tomei todos os comprimidos do antibiótico e do corticoide do jeitinho que o médico prescreveu e sabe qual foi o resultado? Continuo doente!

Consulta com a Otorrinolaringologista

Cansada de pronto-socorro, marquei consulta com a otorrinolaringologista. Tava tossindo, moca (com a sensação de ouvido tapado) e cheia de secreção.  Ela me examinou e escutou o meu peito sibilando. Por isso, me encaminhou com urgência para um pneumologista e passou radiografias de face e de tórax. Me deu DEZ dias de atestado médico. DEZ DIAS!!! Tentei explicar que dez dias é muito tempo, mas ela falou que preciso me afastar do trabalho se quero ficar boa.

Ela examinou os ouvidos e disse que não havia um pingo de cera e, por isso, não faria limpeza. A sensação de ouvido tapado é consequência do excesso de secreção. Quando a secreção for embora, esse sintoma vai junto.

Ela passou um tratamento com nebulização e uma bombinha caso eu não conseguisse uma consulta logo com o pneumologista. Como consegui, nem comecei o que ela prescreveu. A médica optou por não prescrever nada que precisasse ser ingerido porque já sobrecarreguei demais o fígado. Falou pra suspender o antialérgico porque, na minha situação, ele não faz nenhum efeito.

Consulta com o Pneumologista

Já fui com o resultado das radiografias em mãos.

raio-x

Felizmente, nenhuma surpresa nos resultados. O médico viu tudo, conversamos e ele acredita que tenho asma. Tentei explicar que não tenho asma, nunca tive asma e que o que sinto é diferente do que as pessoas que tem asma e conheço sentem. Então, ele me disse que a asma se manifesta de diversas maneiras. Há pessoas com asma que apresentam todos os sintomas clássicos e pessoas com asma que só apresentam uma tosse recorrente. Todas elas se beneficiam com o tratamento adequado. De acordo com o médico, essas infecções recorrentes e essa tosse sem jeito são sintomas da asma. Pra confirmar o diagnóstico e me convencer de que tenho asma, passou mais exames.

função pulmonar.jpg

Apesar de discordar bem muito do diagnóstico de asma, farei os exames. Vou adorar dizer “Tá vendo, doutor, tá tudo ótimo”. O pneumologista desenvolveu toda uma conversa sobre como funcionam os processos inflamatórios com direito a muitas metáforas. Achei engraçado ele personificar o meu corpo como um ser que pensa independente da minha racionalidade pra criar uma historinha simplificada de como certos processos acontecem dentro de mim. Vou tentar reproduzir grosseiramente.

Segundo o médico, meu corpo interpreta o mofo (ou qualquer outro agente alergênico) como um inimigo. Pra combater esse inimigo, ele aciona o sistema imunológico. O sistema imunológico parte pra cima do inimigo e essa guerra causa uma inflamação. No outro dia, o corpo volta a entrar em contato com o mofo. Então, pensa “Oxi! Porque esse inimigo ainda está aqui? Será que meu ataque não foi forte o suficiente? Agora, vou com força total!”. A resposta exagerada do sistema imunológico causa uma inflamação maior do que a anterior.

O ideal seria identificar esses agentes alergênicos, me afastar deles e fazer o tratamento adequado. O ideal não é possível. Não tem o menor cabimento me afastar do trabalho toda vez que chover. Então, por dois meses, trabalharei medicada, fazendo o tratamento da asma.

O tratamento será feito usando uma bombinha com uma medicação chamada Clenil. Olha que informação interessante vou dar agora: Clenil é corticoide. Só faltava inalar corticoide. Vou inspirar corticoide e segurar o ar por dez segundos no meu pulmão. Já usei corticoide em forma de pomada, colírio, injetável, comprimido… Só tava faltando mesmo respirá-lo.

Como me sinto em meio a tudo isso

Preciso dizer que tô com ódio?

Como que faço pra ficar naturalmente bem e sem tantos exames, tratamentos e medicações na minha vida?

Comentei com o pneumologista que tenho cogitado a possibilidade de adotar um gatinho (ele perguntou se tenho animal doméstico. Não tenho e nunca tive, mas adoraria ter um gato ou cachorro). O médico disse que eu nem pensasse nessa possibilidade porque sou muito alérgica. Meu coração está partido. Passo as manhãs trabalhando e o resto do dia em casa. Sozinha por algumas horas. Quero cuidar, brincar e fazer carinho num bichinho esperto e sensível.

É tão injusto me privar da possibilidade de viver a experiência de criar um animal doméstico. Já basta saber que nunca vou experimentar alguns sabores devido as alergias alimentares. O que mais falta acrescentar na lista dos “proibidos para Kívia”? Ao mesmo tempo, não quero viver adoecendo. Se tiver de escolher entre preservar “minha saúde” (cheguei num ponto em que acho até irônico usar a palavra saúde quando falo de mim) e ter um bichinho, óbvio que vou escolher me preservar.

Deveria ter feito uma infusão de Remicade no dia 09/07, mas não fiz. Enquanto tiver assim o uso de imunossupressor está suspenso. Por sorte, mesmo sem a medicação, continuo sem sintomas da colite.

Todos os anos que já vivi em 2018

15 jul

SAÚDE INSTÁVEL

Desde que começou a chover em Natal não consigo controlar as manifestações alérgicas. Cheguei num ponto que parei de contabilizar o tanto de corticoide que venho tomando.

Atualmente, estou consumindo:

  • 40 mg de corticoide (prednisolona)
  • antibiótico (amoxicilina + clavulanato de potássio)
  • 2400mg de mesalazina
  • 10mg de loratadina
  • 3 pingos de sorine três vezes ao dia

Deveria ter feito uma infusão esta semana, mas o tratamento com Remicade está suspenso até essa sinusite passar. Não dá pra entupir de imunossupressor um corpo em recuperação. Tive duas vezes no P.S. Na quarta-feira, fizeram decadron (corticoide)  injetável e uma nebulização com fluibron. Foi quando o médico passou parte do tratamento pra casa. Comecei o tratamento em casa, não melhorei, voltei pro P.S. no sábado. Lá, fizeram um raio-x da face e hidrocortisona injetável (pelo nome vocês já devem ter percebido que é mais corticoide). O médico acrescentou o antialérgico e a solução pra o nariz ao tratamento.

Essas idas ao PS me estressam. O clínico geral que me atendeu da última vez foi atencioso, mas pareceu perdido. Primeiro, sugeriu um anti-inflamatório desses comuns (ou “não esteroides” pra quem quiser pesquisar). Falei que esse tipo de medicação não rola pra mim por causa da colite. Não compensa assumir o risco de um sangramento no intestino pra combater uma sinusite. O anti-inflamatório seguro pra quem tem uma DII é o corticoide (por isso, os clínicos adoram nos entupir dele). Depois, ele sugeriu Claritin D. Informei que já tomei essa medicação no passado e que tive taquicardia com ela. Falei que já havia tomado a loratadina. Ele prescreveu. Depois, inevitavelmente, ri da prescrição (não na frente do médico porque seria grosseiro). Lembrei que um dia antes de começar o antibiótico havia terminado uma caixa de loratadina e iniciado outra na tentativa de evitar que uma rinite alérgica evoluísse para uma sinusite (obvio que não funcionou). Parei de tomar o antialérgico porque não sabia que podia juntar com o corticoide e antibiótico. Pra mim, estes últimos seriam suficientes (não foram). As idas ao P.S. são uma piada de péssimo gosto. Só funciona enquanto estou lá. As vezes, nem isso.

Tô cansada de iniciar tratamentos pra alergias com otorrinolaringologistas/ alergologistas. Não aguento mais tanto comprimido. Já tô no meu limite. Lidar com problemas respiratórios não é algo novo ou algo que apareceu depois do diagnóstico de colite ou depois do início do tratamento com imunossupressor. SEMPRE FUI MUITO ALÉRGICA. Desde a infância. Faces doendo, dentes doendo, tosse seca, tosse cheia, garganta ardendo, ouvido tapado por secreção, sensação de sufocar ao deitar… todo esse bolo de sintomas é mais do mesmo.

Algumas épocas são piores do que outras. Por exemplo, sei que enquanto estiver chovendo em Natal vou estar instável. Tem outro complicador. O complicador invisível aos olhos médicos. Meu ambiente de trabalho é insalubre para mim.

AMO A MINHA ESCOLA. AMO A MINHA EQUIPE. AMO OS MEUS ALUNOS. ACIMA DE TUDO: AMO MINISTRAR AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA. Entretanto, a estrutura física da escola é péssima. Quando chove, as salas ficam cheias de goteiras. Cai água até da lâmpada. Tudo fica molhado e úmido. Quando para de chover, o mofo toma conta. A comunidade também não colabora. Jogam lixo no nosso mato que já tá alto. Umas pessoas queimam lixo perto do prédio. Já dei aula inalando fumaça que vinha da rua. Me digam: que tratamento dá conta desses fatores?

Pensar que isso pode estar me prejudicando me deixa mal. Me sinto feliz e acolhida quando estou cercada pelos meus colegas e alunos. Vocês não tem noção do quanto isso é raro. Nós precisamos de uma reforma e de manutenções que não chegam. Os gestores trabalhando a todo vapor pra contornar as adversidades e batendo de frente com problemas que vão além das capacidades deles. E a gente se sentindo impotente junto por não conseguir algo tão básico que é uma estrutura física que nos permita um ambiente de trabalho saudável.

Tô muito triste hoje. Não quero ter de ficar enfrentando crises respiratórias recorrentes. Não quero mais dias de atestado médico. Não quero tomar corticoide. Não quero pensar na opção de deixar minha escola ou buscar outro emprego. Mas, tudo isso fica martelando na minha cabeça. E AGORA? O QUE É QUE EU FAÇO?

AS IMPLICAÇÕES DE UMA SAÚDE INSTÁVEL

Sabem tudo aquilo que me propus a fazer, mas precisava de saúde pra fazer? Então… sem ela fica difícil. Tô abrindo mão de todo plano que possa complicar minha vida, gerar  angústia e posso jogar pro futuro. Sabem aquele Bacharelado em Ciências e Tecnologia com ênfase em Tecnologia Biomédica na UFRN? Já deixei. Sabem o mestrado profissional na área de Linguística Aplicada? Tô mais fora do que dentro. A vida é feita de escolhas. Nem todo sonho se tornará realidade. A gente não pode ter tudo e tem de reconhecer que o nosso momento pessoal interfere nos nossos planos. Não posso idealizar viver uma rotina que não consigo viver. Não posso assumir compromissos sem condições de honrá-los. Isso só traz acumulo de frustrações. Não é minha meta juntar fracassos. Muito menos desistir de crescer. Todavia, preciso rever o que ando fazendo e elaborar uma nova forma de alcançar o que desejo. Antes disso, preciso focar em mim. Recuperação leva tempo. Sou prioridade. Não existe pessoa que sofra ou se prejudique mais com essas minhas decisões do que eu. E, pra mim, tá tudo bem me colocar como centro do universo. Claro que dói um tantinho adiar planos e reconhecer que não consigo algo agora. Todavia, não é o fim do mundo. Na verdade, nem é tão ruim. Só dói um pouquinho mesmo (já renasci tantas vezes que sei que isso não passa de uma fase difícil).

2018 E SUAS REVIRAVOLTAS

Já passamos da metade do ano e sinto como se tivesse vivido uma década de tanto que minha vida mudou nesses últimos meses. Tô praticamente casada. Deixei o ninho dos meus pais para construir um novo ninho com Raimar. Estamos morando juntos num apartamento há pouco mais de dois meses e tem sido uma experiência incrível de aprendizado que tô amando compartilhar com a minha família e com os meus amigos.

Tudo que aconteceu em 2018 tá sendo surpreendente. Sempre fui muito de planejar as coisas antes de fazer. Agora, depende do momento. Me sinto muito mais aberta a viver novas experiências depois de ter saído do armário publicamente. É algo que me deu um poder novo. Uma nova liberdade.

A ideia de casamento era algo distante pra mim antes. Agora é diferente porque sou dona de mim e das minhas escolhas. Não é mais uma vida suspensa. Foi basicamente olhar pro lado e dizer “Eu quero dar esse passo, você quer?”, olhar junto pras nossas condições e conferir que nós podíamos. Então, pronto. Tava resolvido. Cada pessoa que existe no mundo deveria ter um pouco dessa sensação de que a vida é um universo de possibilidades. A gente só precisa de coragem para assumir nossos sonhos e lutar por eles. E tudo bem se não der certo ou mudar de sonho. A gente pode ser feliz de várias maneiras.

Só a misericórdia!

28 abr

Socorro! Estou com uma garganta que não melhora e olhos inflamados dentro de uma Natal que oscila pancadas de chuva com sol de rachar o crânio.

Agora, não tô conseguindo conter as manifestações alérgicas.

Mais ou menos uma semana e meia depois da infusão comecei a sentir um desconforto na garganta. Como não era um sintoma que incomodava tanto nem marquei consulta com a médica pra ver isso. Em poucos dias o que era um simples desconforto virou crise. Minha garganta se encheu de placas de pus, fiquei em pânico quando vi a arrumação e corri pro Pronto-Socorro.

No hospital tomei Dexametasona (Decadron) injetável e saí com a receita para iniciar o antibiótico em casa. Tomei um comprimido de Astro (Azitromicina) ao dia por cinco dias.

Observação: essa é a a segunda vez em 2018 que preciso recorrer ao combo antibiótico+corticoide para aplacar uma crise de garganta. A primeira foi em janeiro. 

Depois de terminar o antibiótico fiquei bem por dois dias. DOIS DIAS. Voltando do trabalho, fui pega de surpresa por uma chuva torrencial. Cheguei me casa encharcada. Sabe quem voltou a incomodar? Pois é. A garganta não tá super inflamada como das outras vezes, mas arde e tenho crises de tosse. Antes, eu não estava em sala de aula (ou estava de férias ou em greve).  Dessa vez é diferente. Porque a minha voz é também o meu instrumento de trabalho. Crise de garganta, por mais branda que seja, atrapalha muito a vida de quem é professor(a).

Como se isso não bastasse, surgiram outros sintomas alérgicos. Rinite. Sabe aquela coriza transparente tão comum de crise alérgica? Tá tendo. Outro sintoma alérgico que tá me incomodando pra caramba: inflamação nos olhos. Só saio de casa depois de aplicar colírio antialérgico. Isso aplaca os sintomas por algumas horas.

Não sei o que fazer porque tem dois fatores que certamente estão contribuindo para esse quadro. Primeiro: está chovendo em Natal. SEMPRE que chove, isso acontece. Segundo: tem poeira e mofo no meu ambiente de trabalho. Essa é a realidade das escolas públicas do Estado do RN. Sendo professora, como posso fugir dessa situação? Não sei… Felizmente, não trabalho com giz. Se trabalhasse, provavelmente, não estaria aqui escrevendo neste blogue. Estaria deitada em sono eterno debaixo da terra.

Só quero que essa temporada malassombrada passe o quanto antes, pois preciso da minha saúde 100% para fazer tudo o quê me propus a fazer. Assim não dá!

 

 

A capa da invisibilidade

18 abr

Quem é portador de uma Doença Inflamatória Intestinal (DII) sabe o que é sofrer com o invisível. O desconforto existe, a gente sente, mas… as pessoas ao redor não são capazes de ver. E aquilo que nós podemos ver, como o sangue e o pus que podem vir nas fezes, não vamos mostrar (não preciso comentar o porquê, né?!)

O ruim de ter um doença invisível e de sintomas que podem nos constranger é, na hora que a gente mais precisa, não termos coragem de pedir ajuda ou revelar o que está acontecendo. Ninguém que está de fora vai saber o quão debilitado você se sente em determinado momento a não ser que você diga. E dizer… é muito difícil.

Difícil por diversos fatores. Primeiro: FORA, TEMER! Segundo: não é confortável dar detalhes do que a gente tá sentindo para outra pessoa. Mesmo que a gente saiba que explicações vagas são ruins podemos fazer isso em alguns momentos. Terceiro: quando a gente não diz o que sente e o outro não pode ver, a nossa explicação vaga para evitar ou fugir de determinadas situações pode criar a imagem de que estamos ótimos e temos apenas frescura.

A doença é invisível sim. E, pra piorar, nós vestimos a capa da invisibilidade quando fingimos que tá tudo bem e não tá.

A capa da invisibilidade é uma metáfora útil para falarmos de tudo na nossa vida que escondemos. O ruim de não falar sobre seja lá o que for é que a dor se concentra na gente. Dor compartilhada é dor dividida. Peso dividido torna-se mais leve de carregar. Se eu não tivesse falado sobre viver com colite, não teria conhecido tanta gente bacana que se identifica comigo e com as minhas dores. Antes do blogue, me sentia só. Quando a gente conversa e encontra pessoas com os mesmos conflitos se fortalece individualmente e como grupo. Compartilha informações. Luta junto por movimentos capazes de melhorar a nossa qualidade de vida. Divide experiências. Torna a nossa existência mais rica e significativa.

Sob a capa da invisibilidade, nós podemos esconder os sintomas da nossa DII e podemos esconder outras coisas também. Por baixo da minha capa há uma bandeira com as cores do arco-íris. Por muito tempo falo sobre isso abertamente como uma narradora observadora. Aquela que conhece o enredo, mas não participa dele. O problema é que sou mais do que observadora. Sempre fui e sempre soube disso. Optei por não revelar ao público que também sou personagem da trama porque estava numa posição de privilégio e conforto.

Posso me interessar por homens e por mulheres. Passei oito anos com um companheiro fantástico. O melhor namorado do mundo. O homem dos sonhos. Até que um dia decidi abrir mão do príncipe encantado e me coroei rainha de mim.

Pessoas me perguntam como foi a mudança, como eu descobri isso. Não teve mudança de uma hora pra outra. Não descobri nada que já não soubesse desde sempre. Surpresa pra mim foi eu ter conseguido me apaixonar de verdade por um homem lá em 2009. Antes dele, saí com outros carinhas, mas não curtia de verdade. Era mais pra afastar os holofotes. Preciso dizer que uma moça que não tem interesse em rapazes e possui preferências alternativas chama atenção para si e se coloca em evidência na equação da heteronormatividade? Isso de não se importar tanto com o que as pessoas pensam a seu respeito é mais fácil na teoria do que na prática.

NEM TODA EXPERIÊNCIA VALE A PENA. Tem umas que não servem sequer pra gente chamar de aprendizado. Se eu pudesse mandar uma carta para a Kívia do passado diria assim:

“Oi, Kívia.

Confie em mim porque eu conheço você e sei o que você sente. Você não precisa provar nada para ninguém e nem para você. Sei que o seu comportamento é conservador agora e isso te dá segurança. Tudo bem não avançar em direção alguma. NEM TODA EXPERIÊNCIA VALE A PENA. Você pode ficar na sua sempre. Não beije bocas que não te interessam para parecer heterossexual. Mas, nem por isso encare situações que te deixam desconfortável para parecer mais descolada do que é. Se julgue menos e se ame mais. Aceite que viver fora dos padrões que você internalizou serem certos pode ser um dos caminhos que te fará feliz.

Até o futuro,

Kívia Passos”

Lutei para parecer hétero? Lutei sim. Entretanto, em um momento disse para mim mesma “Chega! Essa parada aí tá me fazendo muito mal. Não tô curtindo essa fase. Não sou obrigada a nada. Agora, só vou me relacionar com quem quiser, quando quiser e assumir o que tiver de assumir.” Essa decisão mental (ainda que eu não tivesse sequer discutido o que sentia com outra pessoa e ela fosse só minha) foi extremante importante para mim.

É preciso contextualizar que até 2009, eu era aquela moça que não pegava ninguém. Em 2009 entrei na UFRN/IFRN (isso ampliou o meu universo de possibilidades), fui a raras festas e passei o rodo geral. Conheci o meu namorado em setembro e ele deve ter sido bem a décima boca que beijei naquele ano. Não contabilizei com precisão. Foi um período atípico da minha vida.

Foi depois que decidi fazer apenas o que tivesse afim de fazer que conheci Raimar. Ele era/é diferente para mim. Tudo nele me encantava/encanta e eu gostava/gosto de estar com ele. Nós vivemos um relacionamento lindo por 8 anos seguidos. link pra quem shippa

OBS.: Nós comemoramos o nosso oitavo ano de namoro viajando para o Manoa Park em Maracajaú. Passamos um fds por lá, fizemos umas atividades bacanas e talz. Temos fotos ótimas. Mas, a nossa relação estava desgastada e terminando. Chorei litros naquela época e, por isso, nunca publiquei aquela “comemoração” aqui.

Durante esses oito anos de namoro nunca deixei de me sentir “diferente”. Sentir atração por homem ou por mulher é algo que não passa. Você só controla para poder caber num modelo de vida que te deixa satisfeito. Por anos, isso não foi um problema. Até que juntou uma crise no relacionamento com o estalo de que a vida é efêmera e… BBOOOMMM!!

Terminar um relacionamento longo doeu para caramba e me quebrou em milhões de pedaços. Ao contrário do que podem imaginar, não aconteceu do dia para a noite. Foram MESES tentando fazer dar certo até chegar no limite do suportável e ultrapassá-lo um pouco.

Parte do meu luto do término foi vivido ainda noiva porque eu via tudo desmoronando. Então, quando de fato acabou, apesar da dor, senti um alivio estranho. Com o tempo, comecei a sentir também uma empolgação nova. A empolgação de compreender que o mundo é um universo de possibilidades interessantes.

Resolvi abrir minha mente, me permitir ser guiada pelos meus sentimentos e só. Vivi experiências inéditas como ir ao cinema sozinha, ir a um festival de música para ouvir umas bandas que amo, me aventurar mais sem a família… Foi nessa vibe de crescimento pessoal e autodescoberta que conheci a minha ex-namorada.

Minha ex é uma mulher maravilhosa. Eu fui muito feliz ao lado dela e sinto que foi recíproco. Foram cinco meses intensos de amor, respeito e aprendizado em diversas esferas da minha vida. Sempre serei grata pelo tanto que ela me ajudou a crescer e por tudo que vivemos juntas.

Construir um relacionamento saudável com outra pessoa não é fácil. Cada pessoa traz dentro de si uma bagagem cultural particular e que é só dela. Isso é parte do conflito universal da pessoa disposta a ser relacionar com outra. Tudo aquilo que já não é fácil se torna mais difícil se a outra pessoa é do mesmo sexo. Só sabe das dificuldades de viver uma relação homoafetiva quem já viveu uma. Sair do armário é doloroso demais. Mas, é importante. Não poder expressar abertamente o que sinto me angustiava.

Mesmo vivendo um relacionamento lindo com outra mulher ainda me sentia ligada a Raimar. Ele esteve comigo nos piores e melhores momentos da minha vida. Quando o nosso relacionamento terminou, me afastei do meu melhor amigo e nunca fiquei bem com isso. Minha ex percebia esse movimento e até me ajudou a compreendê-lo também.

Sabe aquela pessoa com quem você compartilha 110% de afinidade? Nós dois. Raimar e Kívia. Os planos e sonhos que construímos juntos por oitos anos não desapareceram. Por amor, por tudo que favorece essa união e por acreditar que podemos ser felizes juntos, voltamos.

Terminar com Raimar ano passado foi uma das melhores decisões que tomei na vida porque percebo que nós dois crescemos muito durante esse afastamento. Sinto que essa é uma experiência que nos fortaleceu como casal também.

Toda essa narrativa pode parecer estranha porque FALTA REPRESENTATIVIDADE. Eu mesma sofri mais do que deveria por me sentir no limbo, indefinida. Todavia, tudo bem viver relações tão intensas com pessoas de gêneros opostos. Amar outra pessoa é errado? Não. Não é. Culpa é um sentimento muito pesado pra gente ficar carregando. É péssimo gastar tanta energia buscando caber na caixinha das classificações. De repente, entendi as piadas que dizem que o B de LGBT é de Biscoito. E, sinceramente, acho triste.

 

 

MOMENTOS DE TENSÃO

11 abr

A vigésima sétima infusão de Remicade deveria ter acontecido no dia 06/03/2018 e… NÃO ACONTECEU!

Peguei a negativa da UNICAT (uma funcionária de lá redigiu um documento explicando que a medicação estava em falta), as prescrições médicas e uma declaração médica comprovando a necessidade da continuidade do tratamento com Remicade redigidas pelo meu gastro e enviei tudo para a advogada que responde por mim. Ela, com a documentação em mãos, informou as autoridades competentes o descumprimento da ordem judicial que decreta que devo receber o tratamento adequado.

Segundo embate judicial para conseguir essa medicação por meio de uma compra particular. De novo, correndo contra o tempo.

Preciso descrever o meu pânico enquanto esperava uma sentença favorável da juíza que cuida do caso?

Estou no mestrado profissional em linguística aplicada, cursando bacharelado em ciências e tecnologia com ênfase em tecnologia biomédica e ministrando aulas de língua portuguesa… Tenho uma dissertação para qualificar este ano!

Uma anja apareceu para me oferecer a doação de seis frascos de Remicade. Um dia antes de eu ir pegar a medicação (ela estava no interior do RN), saiu um parecer favorável da juíza ordenando que a compra particular dos nove fracos fosse feita com urgência para que pudêssemos dar continuidade ao tratamento. Com uma perspectiva real de ter a medicação em mãos pelos meios legais, abri mão da doação e optei por esperar a compra. Nós sabemos que, num País desigual como o Brasil, nem todas as pessoas podem pagar por um advogado e, muitas vezes, aquelas que não podem não sabem como procurar ajuda da Defensoria Pública. A medicação de alto custo que faltou para mim, faltou também para outras pessoas. Pessoas em situações piores. Talvez, em crise. Precisando com mais urgência e sem perspectiva de quando receberão os frascos.

Alguns dias depois da decisão da Juíza, a compra foi feita pelo Estado e os nove frascos foram enviados para minha casa. Marquei a infusão para o dia 22 de março de 2018. Cheguei ao hospital no dia e horário marcados, levei três frascos para infusão. Depois de praticamente tudo pronto, fui informada pela técnica que havia algo diferente com a medicação. Os frascos não eram de Remicade, eram de Remsima. Um biossimilar. Leiga, li na caixa o nome Infliximabe 100 mg e achei que fosse a mesma coisa.

Na hora liguei para a advogada e para o meu médico. O gastro falou que a troca da medicação não poderia ser feita sem a autorização dele. E se o Estado comprou Remicade e na prescrição do médico estava escrito Remicade, a farmácia deveria ter enviado o Remicade e não um biossimilar. O responsável pela farmácia que forneceu a medicação disse a minha advogada que era tudo a mesma coisa. Mas , garantiu que faria a troca. A enfermeira-chefe do hospital conversou comigo e não autorizou que fosse feita a infusação com Remsima. Ela alegou questões burocráticas, também disse que a equipe não foi treinada para fazer o procedimento com esse biossimilar e ela não seria corresponsável por esse erro.

Voltei para casa sem ter feito a infusão. Alguns dias depois, um funcionário da farmácia recolheu os nove frascos de Remsima e me forneceu três frascos de Remicade. Ficou combinado de que a advogada informaria as datas das infusões e a farmácia só me entregaria o necessário para aquela infusão até completar os nove frascos.

27ª infusão de Remicade (Infliximabe)

No dia 02 de abril de 2018, fizemos a infusão com Remicade. Continuo dentro do peso ideal para as infusões. Estou com 59 Kg.

Possíveis complicações futuras

A técnica do hospital abriu uma das caixinhas de papelão dos frascos de Remsima. Ela só se deu conta do biossimilar quando viu o frasco diferente. Quando viu o frasco, ela chamou a enfermeira e me informaram que não se tratava da medicação prescrita pelo meu médico. O frasco não foi violado. Mas, o papelão foi. O dono da farmácia recebeu os nove frascos de Remsima e, em seguida, ligou para a minha advogada ameaçando entregar apenas oitos frascos de Remicade (um a menos do que preciso para três infusões) porque essa caixinha estava aberta. Ele alegou que assim não consegue vender. Apesar do erro que foi inicialmente da farmácia e gerou um sucessão de outros equívocos, espero muito que consigam vender esse frasco. Não quero entrar em outra batalha judicial (mesmo sabendo que há chance real de um parecer favorável a mim) e também não é meu desejo que saiam no prejuízo.

Complicações passadas

O intervalo entre uma infusão e outra deve ser de seis semanas. Fiz com praticamente dez semanas. Por volta da sétima/oitava, a medicação foi perdendo efeito e comecei a ter os sintomas que precedem uma crise. Em vários momentos precisei fechar os olhos, respirar fundo e recitar para mim mesma “Coragem para mudar as coisas que você pode mudar. Serenidade para aceitar as que não pode. Sabedoria para distinguir umas das outras.”

Não me sinto confortável dizendo isso, mas foi uma coincidência feliz os professores do Estado do RN terem entrado em greve no período que os sintomas da colite começaram a se manifestar no meu corpo. Participei de vários atos promovidos pelo sindicato, mas foi um alívio não estar em sala de aula todos os dias. É horrível passar mal no ambiente de trabalho. Me sinto menor quando isso acontece. Ainda bem que a infusão veio para aplacar os sintomas.

E os outros aspectos da vida?

Fiz psicoterapia por algumas semanas, parei e vou retomar com outra profissional. Comecei na musculação e deixei a musculação. Comecei o plano alimentar e abandonei. Não sei o que raios faço com as minhas matrículas na UFRN (as vezes, tenho vontade de jogar tudo pro alto).

No segundo semestre do ano passado terminei um noivado. Passei pelo processo tenebroso de sair do armário e namorei outra mulher por uns cinco meses. Viver uma relação homoafetiva foi umas das experiências de autodescoberta mais interessantes da minha vida e, ao mesmo tempo, de um desgaste emocional que não sei nem se tenho fôlego pra descrever agora. Essa relação terminou e voltei pro meu ex. Quero deixar claro que não voltei para uma relação heterossexual porque é difícil levantar a bandeira LGBT (apesar de ser muito mais do que esperava que fosse). Um conjunto de fatores complexos me fizeram tomar essa decisão. Agora, sou namorada do meu ex-noivo.

Sei que muita gente não entende direito o que aconteceu. Pretendo escrever sobre isso em algum momento. Não é minha intenção voltar para o armário e fingir que sou hétero porque estou num relacionamento com um homem. É importante deixar claro que dentre as mudanças recentes a ÚNICA coisa que não mudou é a forma como me sinto em relação a esse aspecto da vida. Não “passei a ser” ou “deixei de ser” seja lá o que for que pensem. Dentro de mim, tá tudo como sempre foi. A mudança foi externa. Foi ter assumido que meu olhar não é direcionado apenas a um gênero. O fato dele não ser direcionado, pra mim, não é nenhuma novidade há anos.

Tô tentando me reorganizar, mas não tá fácil. As férias foram incríveis, todavia minha rotina tá muito puxada. Tô estressada e tendo temporadas de pesadelos. Dormir é tão básico… E não dormir direito desestrutura tudo. Em algum momento vou precisa sentar e refletir para conciliar o que preciso fazer por mim para me manter saudável com aquilo que preciso fazer para alcançar o que desejo.

Não importa qual seja o caminho. Sei que o segredo é me comprometer com as minhas escolhas e fazer o meu melhor para tudo dar certo. VDC!

 

 

Vida que segue

24 jan

26ª Infusão de Infliximabe: 23/01/2018.

Essa infusão me lembrou muito a primeira. A diferença foi que, desta vez, não chorei. Sem lágrimas, mas com um desconforto no peito que me esforcei bastante para disfarçar.

Vamos ao início…

Com a medicação e o localizador em mãos, descubro na oncoclínica que ela foi descredenciada. A equipe não me avisou com antecedência porque ela também não sabia. A enfermeira soube quando tentou acessar o sistema e não conseguiu. Primeiro pensamento: “E agora? A infusão precisa ser hoje e já cometi o vacilo de atrasar a passada. Não quero que aconteça de novo.”

Liguei para o Programa Essencial e a atendente me informou o nome de um hospital que está cadastrado para receber os pacientes que fazem infusão com o Infliximabe. Na hora liguei pro hospital. Felizmente, consegui vaga para fazer a infusão no mesmo dia. Saí direto da oncoclínica pro hospital.

Toda essa mudança de surpresa me deixou muito desconfortável. Fiquei irritada, agitada e com dor nos ombros. Me senti um pouco como da primeira vez e foi ruim relembrar.

No hospital, o procedimento deles é diferente. Me fizeram tomar paracetamol e aplicaram hidrocortisona. Aceitei o paracetamol porque sei que aliviaria a dor de cabeça e nos ombros que já estava sentindo. Deixei aplicarem a hidrocortisona a contragosto. Falei pra enfermeira que nunca tive reações adversas com a medicação, mas ela me explicou que neste hospital é diferente e eles seguem esse procedimento padrão para evitar possíveis efeitos colaterais. O soro do infliximabe fica ligado a uma máquina que controla o início da medicação e apita quando ela acaba. O infliximabe só começa meia hora depois da aplicação da hidrocortisona e de eu ter tomado o paracetamol. A maquina controla a velocidade dos pingos e dá pra programar o tempo da medicação por ela. Pra mim, foi impossível dormir desta vez. Primeiro, porque fiquei agitada com a novidade. Segundo, porque a técnica de enfermagem não me deixava quieta. A cada 30/40 minutos ela verificava a pressão e a temperatura. Na oncoclínica, só aferiam a minha pressão duas vezes. Uma antes da infusão e outra quando terminava. Não conferiam a temperatura.

Vou descrever o novo passo-a-passo da infusão:

  1. Entrego o localizador informado pelo programa essencial a enfermeira, digo o meu peso atual e aguardo a infusão ser autorizada.
  2. Permito que afiram a minha pressão e temperatura.
  3.  Cedo o braço para colocarem o jelco, aplicarem a hidrocortisona e tomo o paracetamol.
  4. Espero meia hora no soro até o início da infusão com infliximabe.
  5. Passo duas horas recebendo o infliximabe.
  6. Permito que afiram a minha pressão e temperatura a cada 30/40 minutos enquanto recebo a medicação.
  7. Fico no soro até que ele acabe depois que a medicação termina. Isso pode durar aproximadamente meia hora.

Todo o processo dura pouco mais de três horas.

Pontos positivos: o acompanhante pode ficar comigo (na oncoclínica não podia), os equipamentos são mais modernos e não fazem quimioterapia lá. Na oncoclínica, me fazia mal compartilhar o ambiente com algum paciente da quimioterapia que estava sofrendo muito. É desagradável ver um ser humano sofrendo e não pode fazer nada para aliviar aquela dor.

Ponto negativo: É um ambiente desconhecido para mim e não gosto de mudanças inesperadas. Também estou incomodada com a aplicação da hidrocortisona. Odeio corticoide e 2018 já tá cheio dele. Chega!

Estou com 59, 1 Kg. Espero estar com menos na próxima infusão.

E os outros aspectos da vida?

Fiquei boa da garganta. Tenho cumprido o plano alimentar apesar de toda tentação. Tô me esforçando e conseguindo ir a musculação pelo menos três vezes por semana. Praticar uma atividade física regularmente não é uma tarefa fácil pra mim. Ainda mais agora que tá chovendo em Natal. Tenho dormido à noite inteira. Não voltei pra terapia ainda e já deveria ter voltado.

Comecei a ler O Conto da Aia, de Margaret Atwood. Tô curtindo a leitura. É o livro de fevereiro do Leia Mulheres – Natal.

Tenho aproveitado bastante o meu XBOX ONE e dói saber que vou precisar me distanciar dele durante o ano letivo.

2017 quase não termina e 2018 está voando. Alguém, por-favor, segura esse relógio! Tô amando essas férias e não quero que elas acabem tão rápido.

 

Expectativas para 2018

14 jan

Escrevi metas para 2018 e espero cumpri-las.

METAS PARA 2018

  1. Praticar um atividade física regularmente (3 vezes por semana)
  2. Seguir o plano alimentar construído pela nutricionista.
  3. Não tomar refrigerante.
  4. Ler 12 livros.
  5. Poupar dinheiro.
  6. Voltar a dirigir.

ATIVIDADE FÍSICA (MUSCULAÇÃO)

Já me matriculei na academia. Optei por musculação. Fui direitinho a primeira semana, MAS tive um crise de garganta braba na segunda.

Tentei todo remédio natural que conhecia e que me ensinaram. Tomei comprimidos de um antigripal.  Uns quatro banhos frios para controlar a febre num dia que sequer saí de casa. NADA FUNCIONOU.

No outro dia de crise minha garganta encheu de pus. Vi, fiquei morrendo de nojo e por orientação/pressão optei por procurar um PS (felizmente tenho plano de saúde). Resultado:

  • No hosptial: Dexametasona (o famoso Decadron)
  • Em casa:
    • Amoxicilina + Clavulanato de potássio (875 mg + 125 mg) – 12/12h por 7 dias
    • PredSim (40 mg) – 1 vez ao dia

Abri janeiro recebendo um combo de antibiótico e corticoide. Quem me conhece sabe que tenho ódio deste último porque fui dependente dessa medicação por anos e ela me deixou sequelas temporárias e permanentes.

Nem posso mais dizer que nunca erraram a minha veia. Um técnica conseguiu isso. Não sei como porque faço infusão a cada seis semanas desde janeiro/2015 e nunca erraram. Em laboratório, nem estagiário teve dificuldade de pegar. Mas… para tudo tem a primeira vez. Que sensação desagradável!

Antes de começar a aplicação do dexametasona no BRAÇO DIREITO, a técnica injetou a borboletinha e o sangue retornou como esperado nos primeiros segundos e parou. Então, ela resolveu catucar a minha veia com a agulha até encaixar tudo direitinho e o sangue voltar a retornar. Quando conseguiu, começou a aplicação. Só que ardeu muito e reclamei. Ela fez um teste pra saber se a medicação tava entrando na veia. Não tava. ENTÃO, ELA RESOLVEU ME TORTURAR CATUCANDO MAIS UM POUCO. Quando viu que não ia ter jeito, ela tirou a agulha e levou todo o material para trás do balcão da equipe de enfermagem.

Voltou com uma agulha de calibre menor (sou muito grata por isso) e resolveu tentar no BRAÇO ESQUERDO. Deu tudo certo.

Na volta para casa, o local da furada do BRAÇO DIREITO (que não recebeu a medicação de fato – só um pouquinho dela e fora da veia) estava doendo e o do BRAÇO ESQUERDO (o que recebi a medicação) estava ótimo.

Já comecei com o antibiótico e o corticoide. Me sinto melhor. Sem dor, sem febre, com catarro.

A segunda semana de treino falhou. Todavia, pretendo (segunda-feira) voltar firme e forte para academia.

PLANO ALIMENTAR

Comecei recentemente a seguir o plano enviado pela nutricionista. O primeiro dia foi um sucesso porque o plano traz muito dos alimentos que já gosto de comer. Só que a redução das porções, o meu sono desregulado e – talvez – o efeito colateral das novas medicações fizeram com que eu sentisse fome (ou desconforto no estômago – tenho dificuldade pra diferenciar) durante a noite.

A nutricionista liberou para começar as medicações indicadas pelo hepatologista e pela otorrinolaringologista. A eficácia das duas dependem de uma alimentação balanceada. Entretanto, não comecei. Só vou começar quando as que estou tomando saírem de cena.

REFRIGERANTE

Refrigerante ficou em 2017.

Passei mais de cinco anos sem consumir esta bebida. Havia parado antes mesmo de ter sido diagnosticada como portadora de colite. Só que no último semestre do ano passado: DESMORONEI. Não sei como consegui me afundar tão rápido em tão pouco tempo. Algo aconteceu dentro de mim e perdi o senso de limite. De repente, tudo me pareceu permitido. E pareceu até pecado não sorver cada pequeno prazer que a vida estava me ofertando. Toda escolha traz consequências…

Dezembro me trouxe de volta um fantasma da adolescência que havia desaparecido:  cólica menstrual. Bastou 40 minutos de volta com ela. Com direito a me dopar de analgésico e lágrimas nos olhos. Sabe quem não colocou mais um pingo de refrigerante na boca e levou água mineral para virada de ano na praia? EU! Sabe o que aconteceu depois disso? Janeiro sem cólica.

Coloquei nas metas para não esquecer o porquê havia parado.

TUDO POSSO, MAS NEM TUDO ME CONVÉM!

LIVROS

Ano passado coloquei essa mesma meta de ler 12 livros. Em março já tinha batido os 12. Estamos na primeira quinzena de janeiro e estou prestes a terminar o terceiro.

Recomendarei dois dos três:

  • Kindred, de Octávia Butler (livro do mês de janeiro do Leia Mulheres – Natal)
  • Pornô Chic, de Hilda Hilst

Em 2017 li MUITO em relação aos anos anteriores. Falo aqui de leitura por prazer. Espero continuar neste ritmo em 2018.

POUPAR DINHEIRO

Em 2017 não construí divida alguma. Também não poupei um tostão. Hora de mudar isso aí.

VOLTAR A DIRIGIR

É tempo de perder o medo. Em janeiro de 2017 renovei a minha segunda CNH definitiva. Tenho o documento permanente desde 2009. Chega de usá-lo como identidade. Já tenho o RG para isso.

DESCUIDO GRAVE – INFUSÕES DE INFLIXIMABE

Perdi a data da última infusão de Remicade por descuido. Felizmente, isso não resultou em crise de colite. Ela deveria ter acontecido dia 05/12. Aconteceu dia 12/12. Faço essa medicação desde janeiro de 2015. Nada nem parecido havia acontecido antes.

24ª INFUSÃO DE REMICADE: 20/10/17

25ª INFUSÃO DE REMICADE: 12/12/17

As duas foram um sucesso. Finalmente consegui fazer infusões no peso adequado: abaixo dos 60 quilos.

O QUE REALMENTE DESEJO DE 2018?

Saúde e estabilidade emocional.

Dessa vez, não coloquei nenhuma meta acadêmica (apesar de estar no mestrado). Sou grata pela oportunidade que tenho de fazer parte deste universo da UFRN. Tanto como mestranda quanto como graduanda. Apesar da gratidão: não me tornarei escrava do sistema. Farei o que der. Nada mais do que isso.

Meu foco em 2018 é restabelecer a minha saúde física e emocional. Se conseguir isso, conquisto o que desejar depois. Por enquanto: os holofotes de minha atenção apontam pra mim. Para isso preciso:

  1. Adotar um estilo de vida mais saudável
    1. Praticar um atividade física regularmente
    2. Seguir o plano alimentar da nutricionista
    3. Regular o meu horário de sono (voltei a não dormir à noite)
  2. Buscar autoconhecimento

Espero conseguir o que desejo. Me esforçarei para isso. Espero, no meio do caminho, não ceder as pressões externas e esquecer que o que há de mais valioso na Terra para mim: a minha vida. Tenho de cuidar dela, antes de pensar em dar conta de seja lá o que for.

 

 

É tempo de quê?

6 dez

Vou começar com um poema de Viviane Mosé:

“Quem tem olhos pra ver o tempo
Soprando sulcos na pele
Soprando sulcos na pele
Soprando sulcos?

O tempo andou riscando meu rosto
Com uma navalha fina
Sem raiva nem rancor
O tempo riscou meu rosto com calma

Eu parei de lutar contra o tempo
Ando exercendo instante
(acho que ganhei presença)

Acho que a vida anda passando a mão em mim
A vida anda passando a mão em mim
Acho que a vida anda passando
A vida anda passando
Acho que a vida anda
A vida anda em mim
Acho que há vida em mim
A vida em mim anda passando
Acho que a vida anda passando a mão em mim

E por falar em sexo
Quem anda me comendo é o tempo
Na verdade faz tempo
Mas eu escondia
Porque ele me pegava à força
E por trás.
Um dia resolvi encará-lo de frente
E disse: Tempo,
Se você tem que me comer
Que seja com o meu consentimento
E me olhando nos olhos
Acho que ganhei o tempo
De lá pra cá
Ele tem sido bom comigo
Dizem que ando até remoçando”

Estou na fase em que o tempo me come sem consentimento. Um dia tomo coragem para encará-lo de frente.

Mil coisas aconteceram da última publicação para esta. Exames, consultas com médicos de especialidades diferentes, aquisição de novas medicações. Só aquisição. Comprei mais de duzentos reais de comprimidos que nem comecei a tomar. Vai fazer um mês que estão encostados em algum lugar que não lembro onde.

Não comecei a atividade física regular e passo longe da dieta. Mas, nem tudo é estagnação e apatia. Finalmente, procurei ajuda especializada. Estou na psicoterapia. Um passinho por vez.

Preciso decidir o próximo passo e focar nele (já que mudar tudo junto é desgastante demais). Começo pela dieta ou pela atividade física?

Percebi que tenho mais tarefas do que tempo para executá-las. E não sei o que fazer com essa informação. Porque quero todos os projetos nos quais estou envolvida. Quero meu trabalho, quero o mestrado e quero qualidade de vida. Só não tô achando um ponto de convergência que me permita transitar confortavelmente entre todas as esferas.

Antes, não estava minimamente disposta a encarar uma mudança. Agora, estou refletindo sobre isso. Tudo em mim é processo e construção. A sementinha da mudança tá plantada. Falta regar e ver o que cresce.

Retorno ao Hepatologista

16 set

Consulta com o hepatologista

O médico viu todos os exames e suspeita que tenho doença hepática gordurosa não alcoólica. O uso prolongado do corticoide + o aumento de peso contribuíram para esse quadro. O jeito de melhorar é mudando o estilo de vida. Preciso emagrecer. O ideal é que perca três quilos por mês. Para isso, preciso ser acompanhada por uma nutricionista e praticar uma atividade física. O Hepato orientou que eu procurasse uma atividade que me desse prazer. Ele também passou novos exames de sangue.

Resultado dos exames de sangue

Retorno ao hepatologista

TGP e TGO continuam alterados. Estou com o colesterol alto e vou ter de usar medicação para controlar isso. A medicação será Livalo 2mg. Tenho de tomar um comprimido após o jantar. O médico também passou mais exames de sangue e uma ultrassonografia.

23º infusão de Remicade

Como todas as anteriores, foi um sucesso. Passei a infusão dormindo. Estou com 60 quilos.

O que estou fazendo para melhorar?

Nada.

Ainda não comprei a medicação, não tô praticando nenhum esporte, não comecei o acompanhamento com uma nutricionista. Vou recomeçar a psicoterapia. Sozinha não tô dando conta de tudo que preciso fazer para me organizar. Não lembro a última vez que me senti tão bagunçada por dentro. Preciso de tempo pra mim. Tempo para focar na minha saúde e descobrir como posso crescer para me tornar melhor, mais forte.